INSTITUIÇÃO

Mensagem

Quando, em 1498, em plena era dos Descobrimentos, a Rainha D. Leonor instituiu a Primeira Misericórdia de Portugal para acudir aos problemas sociais que então se viviam em Lisboa com as migrações das populações dos campos para a cidade, na esperança de melhores condições de vida, talvez estivesse longe do seu pensamento que a sua obra humanitária perduraria até aos nossos dias, com difusão por todo o Portugal e pelo mundo.

Nascidas do Compromisso Original de apoiar os mais desprotegidos e desfavorecidos da sociedade, as Misericórdias conservam, até à atualidade, como missão última e indeclinável, a realização do bem estar das pessoas: fazer bem sem olhar a quem.

Misericórdia, na etimologia, está associada ao coração, no sentido simbólico de este ser a sede da alma. Significa isto que as situações de desfavorecimento e de desproteção sociais devem ser tratadas, antes de tudo, com afeto. Só assim se realiza a misericórdia.

São os sentimentos de identificação com o sofrimento dos outros que dão conteúdo à solidariedade. O principio doutrinal de que todo o homem é meu irmão justifica a longevidade, a universalidade e a nobreza dos fins que todos reconhecem às Misericórdias.

Como se escreve num estudo da Universidade Católica – Portugalia e Monumenta Misericordiarum – as Misericórdias “são inequivocamente uma das mais genuínas expressões de identidade, da cultura e da história de Portugal: história da saúde e da doença, das migrações externas e internas, da propriedade fundiária, da arte e da religiosidade... “.

Ser Provedora desta Casa é uma honra e uma tremenda responsabilidade.

Honra e responsabilidade que assumo com humildade. Com empenho, dedicação , estudo, diálogo, colaboração, transparência e afeto.

S. Francisco de Assis, santo da paz, do amor aos pobres e ao meio ambiente, dizia: primeiro, fazer o que é preciso, depois o que é possível.
Fazer o que é preciso é o propósito e o compromisso pessoal de todos os membros da Mesa Administrativa.
Fazer o que é preciso porque a necessidade não tem horário, não manda aviso prévio e não se compadece com tempo de espera.

É uma prioridade e um imperativo moral atuar em tempo útil, acudindo às urgências com respostas adequadas nas áreas das novas realidades da emergência social .
Fazer o que é preciso para melhorar as condições de vida dos residentes nos Lares e dos utentes do apoio domiciliário, zelando, quotidianamente, pela sua segurança, bem estar físico e psíquico e intervindo nas áreas que forem necessárias para garantir um serviço de referência e de qualidade. Proporcionar-lhes, nas palavras do Papa Francisco,” uma velhice em paz, tranquila, frutuosa e alegre”.

Fazer o que é preciso para proporcionar às crianças das creches e jardins uma infância feliz, segura e alicerçada nos valores da solidariedade e do respeito pelo outro.
Fazer o que é preciso para atenuar as situações de exclusão social, dos marginalizados e dos mais vulneráveis, interessando e comprometendo neste objetivo os serviços da Rede Local de Intervenção Social.

Fazer o que é preciso para conciliar a sustentabilidade da Instituição com o referencial da sua missão, combatendo o desperdício, controlando as despesas e rentabilizando o seu património.

Fazer o que é preciso para preservar e valorizar o património material e imaterial da Santa Casa , fonte de receita e símbolo de gratidão para com os nossos benfeitores.

Fazer o que é preciso na área da cultura, com a realização de eventos que promovam a captação da juventude e da população em geral, numa perspetiva de abertura da Misericórdia à comunidade e de prestação de um verdadeiro serviço público de qualidade.

Fazer o que é preciso na área da reorganização, qualificação e valorização dos recursos humanos porque eles são o rosto da Misericórdia e só com o seu comprometimento é possível prosseguir os ideais da Instituição e ambicionar a prestação de serviços de excelência.

Fazer o que é preciso para imprimir modernidade e organização na gestão.

Com rigor, com transparência, com isenção, tendo sempre presente o equilíbrio entre as responsabilidades sociais e os recursos disponíveis.

Mas tudo com humanidade, com afeto e com abnegação.

Ao serviço da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo,
Luísa Novo Vaz
Provedora